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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Eu vou...


Se me chamar eu vou...
Quero banhar-me em seu mar,
Sentir o toque suave dos seus dedos percorrendo o meu corpo bronzeado.
Deitados na areia, 
Será puro deleite, 
Química perfeita, 
Mágica sintonia.
Arrepios, beijos apaixonados, carícias ardentes, 
Por favor faça-me flutuar no vai e vem dessas ondas
que gente imita no nosso próprio vai e vem
Teremos as pedras como cama,
e o sol como testemunha.
Sons... só das águas e de nossos ais
Ah, como é bom fazer meu rio desaguar no seu mar!


Parceria poética Lis Fernandes  Carlos Soares Menino Beija-flor)

quarta-feira, 27 de março de 2013





Quando o céu chora

Chuva é benção divina.
Água é pura fonte de vida.
Vida que banha os rios,
Vida que rega o verde.
Faz brotar, faz florescer...
e mata a sede.
Mas quando chove,
Parece que o céu chora.
Chora de emoção,
Chora de dor.
Chora lágrimas doces.
Chora gemidos de amor.
Faz nascer poesia dentro de peito...
E quando ela nasce, não tem jeito
espalha-se pelas ruas, pelos campos, pelo mundo
e o que parecia um desgosto profundo
torna o solo do coração, fecundo.
O céu chora, o poeta chora,
e se a vida se faz linda lá fora
é porque brotou aqui dentro,
pois o coração é a fonte, é o centro.
Que o céu chore, que o poeta chore...
mas que a poesia não demore.

PARCERIA POÉTICA   LIS FERNANDES / CARLOS SOARES MENINO BEIJA-FLOR

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A MENINA QUE NÃO SABIA CAVALGAR





A MENINA QUE NÃO SABIA CAVALGAR
( Autor: Carlos Menino Beija-flor )

Num lindo e distante lugar, vivia uma menina muito graciosa, tímida, recatada, cujos olhos pareciam pedras furta-cor, às vezes com um brilho feliz, às vezes com um brilho triste, às vezes com todas as cores, e às vezes se adaptando à cor do momento, para disfarçar alguma inquietação. Sim, a menina era inquieta, parecia ter um poço de poesia dentro de si, um desejo de ir mais além, um algo mais que só a alma feminina sabe esconder, mas ela não queria mais conter. Todas as manhãs, a menina de sua janela, contemplava com semblante sonhador a grande montanha, de onde o sol saía parecendo lhe chamar, para ela saber como era gostoso chegar ao topo, como era bom sentir o sabor do êxtase, a doce loucura de chegar ao ápice,de fechar os olhos, abrir os braços e dizer: “Como foi bom chegar aqui”... e depois se entregar àquela cachoeira que proporcionava um agradável contraste cor de prata, banhando o verde da imponente montanha. Um elegante cavalo branco se lhe apresentava, dizendo: “Vamos, moça. Suba em mim, eu posso levar você até lá. Lá é um lugar maravilhoso. Não tenha medo de cavalgar, a felicidade é querer”. Mas a menina tinha medo, nem sabia exatamente por que tinha medo, apenas sabia que tinha, fora acostumada a ser presa, retraída, o medo lhe foi imposto talvez, ou talvez ela mesma tenha criado em si o medo, afinal somos assim, criamos medos, barreiras, escuridões e fantasmas dentro de nós. O que as pessoas não sabem é que, se criamos, também podemos desfazer. É verdade que algumas algemas são colocadas pela sociedade, mas não são impossíveis de serem quebradas, afinal, a imaginação, o pensamento, não pertence a ninguém a não ser a você mesmo, é a única coisa que não ninguém pode lhe tirar. E assim, com tanta imaginação, com tanto desejo querendo aflorar, fluir de dentro dela, um dia a menina venceu o medo. Era uma manhã diferente, mais linda que todas, o sol mais brilhante, a cachoeira mais charmosa, a montanha mais verde, o cavalo mais provocador... e ela, mais provocável. Tudo conspirava para a felicidade. Ela disse de olhos fechados: “É hoje”. Alisou o cavalo, sentiu seu dorso lhe passando segurança, beijou sua crina, e subiu. E cavalgou. A cavalgada começou suave, leve, afinal a menina era uma principiante, o cavalo sabia disso, e soube conduzi-la, a cada trotar, a cada evolução. Ela segurava em sua crina com prazer e confiança, sorria lindamente sentindo os prazeres de sua primeira cavalgada, aquele vento gostoso na face, aqueles movimentos que cada vez mais a levariam ao topo da montanha, ao ápice, ao auge da felicidade. E a cavalgada foi ficando cada vez mais excitante, mais veloz, mais intensa, agora a menina também sabia conduzir o cavalo, até chegar finalmente ao ponto mais alto que desejou a vida toda. E sorriu... sorriu... sorriu como nunca dantes, abraçada ao cavalo amigo, agradecida pelos momentos de êxtase. Tomou banho de cachoeira, a cachoeira tinha mesmo o frescor que imaginava, lá de longe no parapeito de sua limitada janela. Mas agora estava tudo diferente. Pronto... romperam-se as barreiras, os grilhões, a escuridão e o medo. E assim, todos os dias, podia-se ver a silhueta da menina ao sol, cabelo ao vento, cavalgando no topo da montanha, feliz agarrada a seu cavalo. Nunca mais ela deixou de cavalgar, e seus olhos passaram a ter somente uma cor, a cor da real felicidade... da essência de quem sabe ser.

Carlos Menino Beija-flor
Dedicado à minha amiga Lisandra Fernandes, que está iniciando uma cavalgada literária poética com maestria.
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NOTA:
É com grande prazer que abro os marcadores de amigos poetas e escritores aqui no blog.
Começando com o querido amigo poeta Carlos Menino Beija-flor que me presenteou com esse belo texto e por quem tenho grande carinho e admiração.

Lis Fernandes

Quem quiser conhecer mais as obras do autor, http://gvpoeta.blogspot.com.br/