Conversando com a saudade
A saudade bateu em minha
porta.
Se eu soubesse que era ela
nem teria aberto.
Perguntei o que ela queria,
ali logo cedo. Ela olhou-me e
disse: “Vim fazer uma visita”.
Eu sem saber o que dizer,
apenas lhe pedi que então
entrasse, mas que não ficasse muito à vontade.
Ela perguntou se poderia
sentar-se, foi logo puxando uma
cadeira e pedindo uma xícara de café. Acenei
com um sim.
Olhei para ela ali paradinha,
querendo a minha companhia
e então sentei-me ao seu lado.
Ficamos as duas ali sentadas,
quietinhas e juntas tomamos
café... bem quente, bem forte e bem amargo.
Até que quebrei o silêncio
que se estabelecera entre nós e
indaguei:
“Por que, assim como esse café,
você pra mim tem um gosto
amargo às vezes?”
Ela calmamente respondeu: “ Já
fui doce quando era
presença, depois me tornei amarga quando era só ausência.
Agora
não sou doce nem amarga. Mexa o seu café, tem um
pouco de açúcar no fundo.
Sou apenas saudade".
Lis Fernandes



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